Exposição inédita na Basílica de Assis celebra a vida e o legado do Poverello, reforçando fé, amor e comunhão entre os fiéis
Matheus Macedo – Vatican News
Por ocasião dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, a partir do próximo domingo até 22 de março, os fiéis peregrinos poderão, pela primeira vez, venerar seus restos mortais na igreja inferior da Basílica dedicada ao santo.
Em entrevista à mídia vaticana, Frei Giulio Cesareo, diretor do Escritório de Comunicação do Sacro Convento de Assis, estima a presença de cerca de 370 mil pessoas, com mais de 15 mil fiéis diariamente. Durante esse período, celebrações solenes e iniciativas especiais destacarão a universalidade e a atualidade da mensagem do Poverello.
Relíquias e testemunho de fé
Frei Giulio destaca que a veneração das relíquias é uma prática antiga entre os cristãos, pois os santos, em particular os mártires, são aqueles que testemunharam com a própria vida que o amor de Deus os envolveu plenamente. “Francisco é como o grão de trigo que cai na terra e morre, mas ao morrer dá muito fruto”, afirma.
Local onde ficam conservadas as mortais de São Francisco de Assis. (© Sala Stampa Sacro Convento Assisi)
Em uma sociedade cada vez mais centrada em si mesma, Frei Giulio espera que o evento vá além do benefício para hotéis e restaurantes, tornando-se uma oportunidade de graça. Inspirados em Francisco, que se doou e se consumiu, que os peregrinos e todos os habitantes da região possam redescobrir o valor de se doar sem medo.
Francisco, exemplo vivo do Evangelho
Questionado sobre o por que Francisco continua a falar aos jovens e até aos não crentes por meio de sinais concretos, como as relíquias, Frei Giulio afirma: “As relíquias fazem parte do seu material biológico. Assim como alguém fala e é ouvido graças ao corpo — sem corpo, não há voz —, nosso corpo é o lugar onde acontecem as relações. As relíquias do santo são, portanto, a casca da semente de Francisco que germinou, e essa casca nos fala dele”.
Segundo o frade, a atração por Francisco está na sua vivência do Evangelho. “As pessoas buscam Francisco porque ele é o próprio Evangelho; nele vemos que o Evangelho, quando acolhido, é uma boa notícia para o mundo, para as pessoas, para os indivíduos e para a comunidade. Desde o início, Francisco foi chamado de alter Christus, não no sentido de outro Cristo, mas como ícone de Cristo, não apenas uma imagem semelhante”, acrescenta.
Frei Giulio ressalta que a exibição das relíquias não é apenas um momento de devoção popular mas é também um ato eclesial com valor teológico e cultural. “Queremos nutrir a devoção — nosso amor — com uma experiência eclesial que é teologicamente fundamentada, mas não por isso difícil. A teologia não nasceu para ser difícil; nasceu para expressar com palavras a vida que nos habita”, explica.
O frade lembra que iniciativas como o site www.sanfrancescovive.org e as redes sociais da basílica ajudam a formar e aproximar os fiéis dessa experiência.
Uma mensagem universal de esperança
Ao concluir a entrevista, Frei Giulio declara que em meio a crises sociais e conflitos, São Francisco de Assis continua a transmitir uma mensagem universal de esperança e ação pessoal.
“Francisco não viveu em um tempo muito melhor que o nosso. Havia guerras religiosas, grandes conflitos, disputas familiares, muita injustiça. Ele não viveu em um momento histórico ideal”, lembra Frei Giulio.






0 Comentários